Vocês já viram estes mapas? São os Flood Maps. Funcionam com a tecnologia dos Google Maps. Mas foram trabalhados para mostrar quais áreas do mundo inundam se o nível do mar subir. Você pode selecionar quantos metros deseja. Os mapas são feitos a partir de dados topográficos de cada litoral. Eles não levam em conta a força destrutiva de ressacas ou furacões. Mas já dá uma bela idéia se você deve ou não comprar aquela casa na praia.
(Alexandre Mansur)
31/03/2007
Verdade ou ficção?
O vídeo abaixo é um cult entre os céticos do aquecimento global. Você já viu? Está no YouTube. Diz o filme que os prognósticos dos pesquisadores sobre os impactos das mudanças climáticas são exagerados. Será que vale a pena ignorar o alerta dos principais cientistas do mundo?
(Alexandre Mansur)
31/03/2007
Como as mudanças climáticas vão afetar o Brasil
Esta semana, o Blog do Planeta vai hospedar os debates sobre o aquecimento global, tema da reportagem especial de capa da revista Época. De Bruxelas, na Bélgica, vou procurar manter vocês atualizados sobre o que acontece na reunião do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O encontro reúne pesquisadores do mundo todo para fazer os prognósticos mais precisos dos impactos das mudanças climáticas no planeta.
Para participar do nosso blog, convidamos quatro dos principais pesquisadores brasileiros:
Carlos Nobre, coordenador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
Eduardo Assad, chefe da Embrapa Informática, que estuda a influência do clima na agricultura
Hilton Silveira Pinto, diretor associado do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura, da Unicamp
Luiz Pinguelli Rosa, presidente do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e diretor da Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia (Coppe) da UFRJ
A equipe de repórteres da revista Época também vai colaborar, com notícias e análises. Você está convidado a participar, mandando suas dúvidas e opiniões.
(Alexandre Mansur)
29/03/2007
Polêmica radioativa
Patrick Moore, um dos fundadores do Greepeace, já desligado da ONG há muitos anos, deu uma entrevista defendendo a energia nuclear. Essa discussão é relevante hoje, quando o governo diz que pretende retomar a construção de Angra 3. Moore diz que em 1970 cometeu um erro ao defender a posição contrária. "Estávamos focados em armas e em guerras nucleares, preocupados com a possibilidade de a civilização e o ambiente serem destruídos pelo holocausto nuclear. Vejo que cometemos um erro ao incluir a energia nuclear como parte disso. Falhamos em distinguir o uso pacífico da tecnologia do destrutivo", afirmou em entrevista à Folha de SP, terça-feira. Se Moore mudou de idéia sobre energia nuclear, o Greeanpeace continua o mesmo. Nos sites da ONG, alguns textos rechaçam o uso de energia nuclear. Um deles diz: "A energia nuclear é dispensável porque já existem outros recursos energéticos limpos com um potencial e um desenvolvimento tal que fazem possível abandonar facilmente a energia nuclear no Brasil e no mundo. O que falta é vontade política". Outro afirma: "Reatores nucleares e instalações complementares geram grandes quantidades de lixo nuclear que precisam ficar sob vigilância por milhares de anos. Ainda não se conhecem técnicas seguras de armazenamento do lixo nuclear gerado".
Quem está certo? A defesa pela energia nuclear leva em conta a real necessidade de substituir os combustíveis fósseis de forma maciça. Mas, do outro lado há um medo ponderado de que em superando um problema, se caia em um buraco ainda mais fundo, gerando lixo altamente tóxico, correndo o risco de acidentes como o de Chernobyl e ainda abrindo a porta para que armas sejam criadas.
Porque Moore não tem esse medo? Ele insiste na necessidade de separarmos o uso pacífico do uso militar, mas leva em conta uma suposta bondade e ingenuidade que, talvez, não pertença a esse mundo. Será que podemos confiar em governos e civis que não conseguem nem cuidar do seu próprio lixo orgânico? Estariam os países preparados e equilibrados para lidar com tamanha responsabilidade? Se isso fosse um jogo, talvez a idade recomendada na caixa fosse maior do que a que a do planeta. Ou será que não? Estaria Moore mais maduro e correto em suas novas convicções?
Com o fechamento do Porto da Cargill, hoje, no Pará, os ambientalistas venceram mais um capítulo da luta contra a expansão da soja, na Amazônia. O porto foi construído no município de Santarém, em 2000, pela empresa multinacional norte-americana Cargill. E era o símbolo e propulsor da expansão de soja na região. Desde a construção do porto, além de triplicar a área plantada na floresta, os produtores da região Sul do Pará e Norte do Mato Grosso, passaram a pressionar o governo federal pelo término do asfaltamento da BR-163, que liga Cuiabá à Santarém.
Apesar da ira de ambientalistas, ninguém parecia dar muita atenção para as tentativas do Ministério Público Federal em embargar o porto pela falta de Estudos de Impacto Ambiental (Eia/Rima). Até que uma ação de funcionários da Cargill acabou ganhando notoriedade internacional e mudou a direção dos ventos. Em 2006, integrantes ambientalistas do Greenpeace chegaram com o navio Artic Sunrise em Santarém, para um protesto pacífico em conjunto com integrantes dos movimentos sociais da região. A violência dos simpatizantes da soja resultou em mais de dez pessoa feridas. Dois integrantes do Greenpeace foram prensados entre um rebocador de soja. Uma ativista foi derrubada de uma altura de 30 metros por jatos de água jogados pelos próprios funcionários da Cargill.
Os vídeos de jovens do Greenpeace apanhando de funcionários da empresa correram o mundo. O primeiro resultado foi a moratória de soja conquistada no mesmo ano. Quando os principais compradores de grãos, gente como Mac Donalds e outras redes de fast-food mundiais, decidiram não comprar mais a soja de novas áreas abertas na Amazônia. O segundo golpe aconteceu hoje, às 9 horas da manhã. Um grupo de funcionários o Ibama chegaram com o apoio da Polícia Federal, e fecharam o terminal graneleiro da multinacional norte-americana. Estavam cumprindo a ordem judicial ganha pelo pedido do Ministério Público Federal (MPF) do Pará. A Cargill já entrou com um recurso contra a decisão do tribunal federal e os sojeiros da região estudam uma forma de processarem o governo pelos seus prejuízos econômicos.
Ruim para os sojeiros de Santarém e bom para floresta. A região é tida uma das porções mais importantes para ser conservada na Amazônia. Dados do Instituto de Pesquisa da Amazônia apontam o local é o principal ponto responsável pela formação de chuvas na região Norte do país. Fundamentais para o equilíbrio da floresta.
Entre ambientalistas felizes e sojeiros tristes, apenas uma figura política do agronegócio parece ter se dado bem: Blairo Maggi, governador do Mato Grosso que ganhou o título de rei da soja. Conversas na região dizem que Maggi anda rindo à toa. Com a ação contra a Cargil seu porto em Itacoatiara, no rio Amazonas é agora a única forma para escoar a soja que deve começar a ser colhida em abril.
Nossa escolha de roupas pode ser uma forma de cuidar do planeta. É para ajudar as pessoas a entenderem e praticarem isso que a ONG Ecotece está começando a trabalhar. Ana Cândida e mais três amigas estão dispostas a ajudar a população a escolher marcas que preservem o solo na produção de algodão, por exemplo, valorizem o trabalho do agricultor e tenham responsabilidade social. O trabalho é difícil, mas as meninas estão dispostas a encarar o desafio com informação e auxílio na produção. Veja a entrevista com Ana Cândida, fundadora da ONG.
Época: Em que consiste o trabalho de vocês? Ana: O Instituto Ecotece tem como foco de trabalho o “Vestir Consciente”. Vestir é um verbo presente em nossas vidas todos os dias e através desse ato cotidiano podemos construir uma sociedade melhor. Isso porque cada vez que compramos uma peça de roupa usamos nosso poder de consumidor. Nele devemos buscar o equilíbrio entre a satisfação pessoal, a preservação do planeta e o bem-estar social. Esse é o segredo. Vestir-se com consciência. Queremos mostrar que a escolha do que vestir é uma forma privilegiada de divulgar em quem confiamos. As roupas são uma ótima forma de praticarmos a sustentabilidade e o consumo responsável. O armário é especialmente estratégico, pois nossas escolhas em relação ao vestuário estão ligadas aos nossos valores. Nossa meta é ajudar as pessoas a fazer essa ligação.
Época: A idéia veio de onde? Ana: Essa é uma área bem desenvolvida nos EUA e Europa, mas, ainda, pouco explorada no Brasil. A escolha desse tema pela edição da São Paulo Fashion Week passada e também para os próximos 10 anos do evento, colocou o assunto em evidência: por isso agora é um bom momento para fiar, confiar e tecer o Vestir Consciente no Brasil.
Época: E como vocês pretendem agir? Ana: Para isso, é preciso informação. Foi por essa razão que o Instituto Ecotece escolheu como estratégia investir em um canal informativo. Estamos construindo o Portal do Vestir Consciente e ele trará informações tanto duras e frias, como também com fôlego e esperança. Um bom começo é falar das lavouras de algodão. Mundialmente, esta consome mais de 10% dos pesticidas e 25% dos inseticidas, sendo responsável pelo dispêndio anual de US$ 2,6 bilhões em insumos. O impacto desses agrotóxicos no ambiente gera contaminação no solo, água, ar, biodiversidade e prejudica a saúde de agricultores e consumidores. Para se ter uma idéia, a World Health Organization estima que 20 mil mortes e três milhões de problemas crônicos de saúde são causados por envenenamento relacionado a pesticidas utilizados na agricultura mundial, a cada ano. E o Brasil é um dos cinco maiores consumidores de agrotóxicos no mundo.
Época: E o algodão orgânico? É viável? Ana: Apesar do crescimento do mercado, atualmente o algodão orgânico representa apenas 1% da produção global da commodity, segundo dados da Organic Exchange de 2006. A produção brasileira já é maior do que era na época desse levantamento, mas ainda não existe um estudo atualizado de quanto algodão orgânico tem se plantado por aqui. O Instituto Ecotece está dedicando-se a estudar profundamente o que envolve a produção de uma fibra para vestimenta. E pela relevância do algodão na indústria têxtil mundial (quase 50% dos tecidos mundiais são feitos com algodão), esta fibra está sendo o nosso foco inicial.
Época: E qual o plano de vocês nessa área? Ana: Estamos com uma campanha pelo algodão orgânico em planejamento, com o apoio da PAN UK (Pesticide Action Network), uma ONG na Europa. Também pretendemos viabilizar um diagnostico em uma região do semi-árido para viabilizar o cultivo do algodão orgânico aqui, sendo uma alternativa para recuperação de solo, preservação da água dos rios e geração de renda a famílias da região.
Época: Como vocês sabem a origem dos produtos para avaliar se são ambientalmente responsáveis? Ana: Para formular uma metodologia de avaliação estamos construindo uma parceria com a empresa de assessoria, a Sistema Ambiental. Juntos formamos o Eco Sistema.
Época: Qual é o risco de cometer alguma injustiça? Ana: Quem neste mundo não corre esse risco, inclusive de ser injusto consigo mesmo?! Nossa busca é pela Justiça, mas para se chegar até ela, integralmente, são alguns degraus a serem galgados. Estamos com disposição para isso, mas sabemos que o desafio é grande.
(Lia Bock)
28/03/2007
O arroto da vaca
Uma pílula chamada Bolus é mais uma das ferramentas para lutar contra o aquecimento global. Pelo menos é o que afirma o pesquisador alemão Winfried Dochner, da Universidade de Hohenheim. A pílula melhora a digestão das vacas - o arroto desses animais ruminantes seria responsável por 4% das emissões de metano, um dos gases causadores do efeito estufa. Além de diminuir os arrotos, a pílula aumentaria a produção de leite porque estimularia a produção de glicose. Leia mais detalhes na matéria da BBC. É isso que vai ajudar a salvar o planeta?
(Marcela Buscato)
28/03/2007
Quantos gramas de camarão vale o arquipélago de Abrolhos?
O arquipélago de Abrolhos, paraíso de peixes, corais, fotógrafos e baleias, um dos mais belos trunfos do turismo brasileiro, está ameaçado. A Cooperativa dos Criadores de Camarão do Extremo Sul da Bahia (Coopex) quer instalar uma fazenda de camarão de 1.500 hectares na costa em frente ao Parque Nacional de Abrolhos. Segundo técnicos da ONG Conservação Internacional, os criadouros de camarões destruiriam os manguezais e estuários onde se reproduz a rica fauna de Abrolhos. Os pesquisadores questionam por qual motivo, de todo o litoral do país, os criadores de camarão desejam se instalar justamente no portão de Abrolhos.
Ontem, a Justiça baiana vetou uma saída para Abrolhos. Vetou uma consulta pública para a criação de uma reserva de pesca no local. A consulta serviria para dar apoio à idéia de uma reserva ambiental, que proteja a região e ajude os pescadores a manterem seu ganha pão. Por outro lado, houve ganhos. O governo do estado passou a apoiar a criação da reserva.
A Justiça é cega, mas o governo do estado da Bahia abriu os olhos.
Encontrei esse peixe fóssil na piscina de um resort em Porto de Galinhas, em Pernambuco. Estava incrustado nas pedras que revestem a borda da piscina. (Na foto, está ao lado de um peixe de plástico, desses de forminha para criança brincar na areia) Procurei nas outras pedras e havia dezenas de outros peixes do mesmo tipo. O bicho, de alguma espécie provavelmente já extinta, morreu há milhões de anos em algum canto do país. Petrificou. Depois o lugar virou uma pedreira, de onde tiraram as placas de pedra ornamental. Devem existir outros fósseis espalhados por aí, em hotéis, casas, pisos de shoppings, etc. É assim que se trata o patrimônio de história natural do Brasil.
Será que o peixe veio da Chapada do Araripe? A formação geológica, que passa pelos estados de Ceará e Pernambuco, é o maior reservatório de fósseis do Brasil. Um dos mais importantes do mundo. Também é um dos grandes centros de tráfico de fósseis do planeta. Espécies que a ciência nunca viu são vendidos para colecionadores particulares do mundo todo, por baixo dos panos.
Bom. Pelo menos os peixes que eu encontrei estão lá, relativamente expostos ao público pagante do hotel, para quem se dispuser a observá-los entre uma água de coco e um mergulho na piscina. Podiam estar escondidos num banheiro de alguém. Ou quebrados em um despejo de material de construção usado.
(Alexandre Mansur)
26/03/2007
"Quem vai viver as conseqüências somos nós"
Na sexta-feira 23, os alunos do Colégio São Luís, em São Paulo, e do Colégio Boa Viagem, em Recife, participaram de uma videoconferência com os estudantes da escola The Grey Coat School, de Londres. Na atividade, chamada Café Científico, discutiram as mudanças climáticas e suas conseqüências para o Brasil e para o mundo. A pedido do Blog do Planeta, alguns alunos do terceiro ano do Ensino Médio do Colégio São Luís deram suas opiniões sobre mudanças climáticas:
“É difícil pensar que todo o esforço por que passamos (vestibular, escola, trabalho) seja a toa, já que com tanta informação, não estamos fazendo nada. Através de bom senso e atos simples, como apagar a luz, muita coisa pode melhorar.” (Inês Benseñor Lotufo)
“Creio que o aquecimento global é uma questão com que nós, jovens, devemos nos preocupar muito, pois quem vai viver as conseqüências do aquecimento global no futuro somos nós e nossos filhos. Agora, cabe à sociedade do século XXI se mobilizar e compensar os danos feitos no passado.” (Ricardo Almeida)
“ O aquecimento global é um problema de nível mundial, que traz os efeitos causados principalmente pelo homem, que se esqueceu de sua maior necessidade: a permanência como espécie no planeta. Esse problema tomou proporções tão absurdas que, se nós não nos mobilizarmos para sua solução, o futuro terá um limite e a nova geração, inclusive a nossa, será perdida.” (Nina C. Franca)
“Nós já percebemos os efeitos do aquecimento global. Isso não vai eclodir no futuro, ele é uma realidade com a qual convivemos, por isso, as medidas devem ser tomadas agora, não podemos esperar mais.” (Carolina Langbeck Osse)
“Desde a descoberta do fogo, o homem vem modificando a natureza, sem assumir que faz parte dela. Esta falsa imagem de superioridade gerou condições para o surgimento do aquecimento global.” (Fernanda Prado Logiudice)
“As pessoas que dizem que se importam com o aquecimento global deveriam mostrar isso em ações, não ficando apenas na teoria.” (Rafael Hime Funari)
(Renata Leal)
26/03/2007
Salvem os bois
A Farra do Boi, evento folclórico de Santa Catarina, ocorre com mais freqüência na época da Páscoa, culminando na Sexta-feira Santa. Mas é uma tradição bem pouco cristã. Principalmente no que diz respeito ao trato com os animais. É o que diz a ativista Tania Aguirra Rangel, de Mogi das Cruzes, em São Paulo:
“Há mais de 20 anos ouvimos falar do sofrimento descabido que os bois sentem durante a Farra do Catarinense, onde são espancados por centenas de homens frustrados e bêbados, chegando a cortar o animal aos pedaços ainda vivo.”
“Como um ser humano normal chega a esse ponto de demência, nos levando a imagens mentais surreais. Os políticos locais incentivam essa barbarie para não investirem em formas dignas de lazer e cultura.”
Ela questiona por que não se investe em festas menos agressivas e mais simbólicas, como a disputa dos bois, em Parintins, no Amazonas. Ao menos podiam malhar um boneco de boi, ao invés do bicho vivo. "Daria para fazer um carnaval fora de época. Aquele povo tem muita energia que precisa ser canalizada para a alegria e felicidade, e não ao sofrimento", diz Tania.
(Alexandre Mansur)
26/03/2007
Mais críticas a Corumbatão, no Pantanal
Continuo recebendo manifestações de pesquisadores que temem pelo futuro do Pantanal, ameaçado de virar despejo de indústria pesada. O projeto de um pólo industrial no Pantanal já está sendo chamado de Corumbatão. As indústrias, que incluem siderurgias e usinas a gás, pretendem se instalar em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. O apelido é uma referência a Cubatão, em São Paulo. Quem nos escreve sobre os riscos do projeto é Sônia Corina Hess, pesquisadora da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul:
“O que tem acontecido é emblemático. Em 2006, logo após doar muito dinheiro para campanhas políticas de candidatos a deputado federal, governador e presidente, um empresário obteve em tempo recorde a licença para instalar uma siderúrgica em pleno pantanal, sem que tenha comprovado, em qualquer documento, de onde virão as árvores que precisará para produzir 616,4 toneladas por dia do carvão vegetal a ser utilizado no processamento do minério de ferro. O relatório de impacto ambiental do empreendimento cita, simplesmente, que o carvão vegetal terá “a sua origem a partir do território boliviano e brasileiro”. Sozinha, esta siderúrgica irá dobrar o atual consumo de carvão vegetal em MS, Estado que também tem fornecido o carvão que mantém muitas siderúrgicas em MG, onde as árvores praticamente já desapareceram.”
“No Pantanal e no cerrado são visíveis os efeitos dos desmatamentos da mata nativa patrocinados pelo consumo de carvão em siderúrgicas que, apesar de freqüentemente receberem multas emitidas pelo Ibama, não pagam e nem param de funcionar em função da devastação que estão causando. Diante desta situação absurda, só quem realmente se manifestou foram alguns pesquisadores de universidades e da Embrapa e, também, poucos ambientalistas. Entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Conselhos de classe (como CREA e CRBIO), Associações (como a ABES), simplesmente não se pronunciaram, não quiseram contestar o poder político e econômico.”
“A quem compreende em profundidade o que está acontecendo, resta manter a serenidade, lutar pacificamente, tentar difundir o que sabe.”
Um leitor que acompanha a série de dicas ecológicas deste blog está com uma dúvida. Ele quer separar os copos de plástico e vasilhas de vidro para reciclagem. Mas pergunta se deve ou não lavá-los, para tirar os resíduos de alimentos. Pergunta o leitor: "Se eu lavar o copinho de plástico para tirar os restos de iogorte, vou gastar água da torneira. E aí? Compensa? O que é mais importante, reciclar o plástico ou poupar água? Ou eu devo mandar o vasilhame sujo para a reciclagem?" Quem responde é Lucia Legan, do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (Ipec):
“Na hora de fazer escolhas como essa, o melhor é usar bom senso. E como receber potes limpos é importante para as empresas de reciclagem, vale ajudar, não vale? O importante aqui é lavar de forma consciente, não só os potinhos para reciclagem como toda a louça da casa. Vamos ponderar juntos: qual o prejuízo desse lixo em aterros, entupindo bueiros ou poluindo rios? Será que não vale a pena cooperar gastando bem pouca água?”
“Mas é bom frisar que sempre existe uma saída 100% ecológica. Para as pessoas que vivem na cidade ela é inviável e fica até com cara de ecochata. Mas aqui no Ecocentro Ipec ela funciona. Vamos a ela.”
“Raspe bem os restos do iogurte (ou outro alimento) no composto. Lave o copinho numa pia que tenha ligação com tratamento biológico (com plantas) para água cinza (que vem de pias e chuveiros). Use a água tratada para regar as plantas. Use o composto como adubo, leve os potes para reciclar ou reutilize-os em casa, como vasos para mudas, por exemplo. Não é para qualquer um, mas o ciclo pode fechar. Sempre pode, aliás. “
“Nossa água cinza é usada para regar plantas no jardim (foto). Para saber mais sobre o tratamento da água cinza entre no site do IPEC (www.ecocentro.org) e em Galeria veja as fotos de biorremediação.”
(Alexandre Mansur)
24/03/2007
Sabão contra as frituras
Um leitor do Blog do Planeta levantou uma dúvida cruel sobre o óleo de cozinha. O óleo que a gente usa para fazer frituras tem dois problemas. O primeiro é que ele entope as nossas veias. O segundo é que ele vai pelos encanamentos e contamina os rios. Dá para o consumidor fazer algo a respeito? Para responder a isso, o pessoal do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (Ipec) deu uma receita de sabão com óleo recutilizado. Quem escreve é de Lucia Legan, do Ipec:
Reduzir a quantidade de fritura é uma boa saída, coopera com a saúde e a natureza agradece. Mas, em caso de restaurantes ou de gente que não consegue viver sem uma friturazinha, existe sim duas saídas muito interessante. Aqui no Ipec todo óleo usado vira sabão. Sim, isso mesmo: um ótimo sabão para lavar a louça. Ecológico e econômico. A segunda opção é mais tecnológica. Já existe um sistema que adapta carros a diesel para funcionar com óleo vegetal (usado). Para mais informações sobre esse biocombustível de baixo custo procure a ONG Instituto Morro da Cutia de Agroecologia (IMCA), em Monte Negro, Rio Grande do Sul. (morrodacutia@morrodacutia.org)
A seguir, uma receita de sabão com óleo usado
Sabão Gel
Você precisará de:
1 balde de plástico 2 litros de água morna 3 litros de óleo vegetal reciclado (usado) 500 gramas de soda cáustica ½ litro de álcool 300 gramas de fubá 1 colher de pau grande ou pedaço de pau
Como fazer:
Coloque a água morna e o óleo vegetal no balde de plástico. Com a colher de pau misture bem. Acrescente a soda cáustica. Cuidado com as mãos por que a soda cáustica pode queimar. Misture bem. Feito isso, coloque álcool. E misture novamente. Em um pote separado misture o fubá com um pouco de água. Só para dissolver. Agora, adicione a massa de fubá no balde. Mexa intensamente por 10 minutos. Deixe o sabão descansar por 7 dias antes usar. Isso é importante para neutralizar o efeito da soda cáustica.
(Alexandre Mansur)
23/03/2007
Um exemplo para as hidrelétricas
A FAO, agência da Nações Unidas (ONU) para agricultura e produção de alimentos, elegeu o trabalho de conservação de água em Itaipu como exemplo para o mundo. “O Brasil tem 12% das reservas mundiais de água doce, mas convive com situações de escassez no nordeste e nas capitais”, diz o biólogo José Roberto Borghetti, coordenador dos projetos de água no Brasil pela FAO. “Além da poluição dos rios e nascentes o Brasil sofre com a deficiência nos sistemas de coleta de esgotos, mas tem um bom exemplo de uso racional e de conservação de bacias”, Segundo ele, o modelo implantado por Itaipu que pode ser replicado mundo afora.
Itaipu sempre foi um pesadelo para os ambientalistas. O impacto da construção da hidrelétrica e seu reservatório de 1.350 km², que alagou terras férteis, engoliu as Sete Quedas e quadruplicou a população da região de Foz do Iguaçu (PR), nunca foi legalmente compensado. Mas agora, passados 25 anos, o empreendimento virou um bom exemplo. Veja algumas iniciativas de sucesso de Itaipu:
Corredor de biodiversidade - O reflorestamento da mata ciliar dos tributários da bacia do rio Paraná III forma um maciço de 700 mil hectares, que já liga o pantanal sul-matogrossense e o Parque da Ilha Grande ao Parque Nacional do Iguaçu (inclusive o lado argentino).
Canal da Piracema (foto) - Uma escadaria de 10 km de extensão liga os trechos acima e abaixo da barragem e permite aos peixes migradores vencer os 120 metros de altura da represa — 130 espécies são monitoradas e 7 em cada 10 peixes consegue transpor o canal.
Mutirão pela água – O projeto inclui 29 municípios da bacia hidrográfica do Paraná III. Pescadores, índios, assentados e catadores de lixo participam junto com agricultores, que aderiram à diversificação de culturas, ao plantio direto, ao cultivo de produtos orgânicos e à recuperação da mata ciliar.
Carro elétrico - A Itaipu, a suíça KWO e a Fiat testam um veículo para cargas, que no futuro vai atender às granjas de suínos da região — cerca de 5.000. O combustível virá da energia elétrica produzida por geradores movidos por biogás obtido de biodigestores anaeróbicos que estão sendo instalados nas propriedades para tratar os dejetos dos porcos, evitando que cheguem à represa.
Esse bom exemplo foi levantado na hora certa pela FAO. Ele vem no momento que o Brasil avalia grandes hidrelétricas na Amazônia, como as do Rio Madeira, com potencial para causar estrago ambiental do tamanho de Itaipu. Ninguém é contra uma hidrelétrica, uma das fontes mais limpas de energia. Basta fazer a obra com os devidos cuidados.
O projeto de implantar um pólo industrial com siderúrgica e usina de gás em Corumbá, meio do Pantanal, está preocupando ambientalistas e pesquisadores. Temem que o ecossistema da região não seja o lugar mais adequado para abrigar indústrias pesadas. Além disso, não estou vendo as empresas envolvidas tomando os cuidados necessários para preservar o Pantanal. Prevê-se a instalação de cerca de 20 plantas industriais apenas no lado brasileiro do Pantanal. A empresa MMX/EBX, de Eike Batista, está tentando se instalar no Brasil e na Bolívia.
Há também a previsão de implementação de um Pólo Gás-químico, para a utilização do gás natural boliviano, contaminado naturalmente por mercúrio, para a fabricação de plásticos e fertilizantes. A Petrobrás seria a principal interessada. O problema é que Corumbá detém cerca de 40% da área do Pantanal. Fica no centro do ecossistema considerado Patrimonio Nacional (Constituição Federal de 1988), Patrimônio da Humanidade (ONU 2000) e Reserva da Biosfera (UNESCO 2000). “São títulos suficientemente importantes para que fosse aventado um tipo de desenvolvimento diferenciado, em bases o mais sustentáveis possíveis, ou seja, bem loge de uma industrialização deste tipo”, diz Débora Calheiros, bióloga que trabalha há 18 anos na região em estudos de ecologia de rios e áreas inundáveis do Pantanal.
Época: Qual é o risco do pólo industrial no meio do Pantanal? Débora: Vários. Para começar não há oferta de matriz energética proveniente de carvão vegetal suficiente no Mato Grosso do Sul para atender a demanda de uma siderúrgica, quanto mais das várias previstas na região. O estado já está suprindo as siderúricas de MG com carvão vegetal de mata nativa, na grande maioria ilegal. Também se prevê a retirada de água há 20 km do local, proveniente do rio Paraguai. Mas em que volume? Além disso, há risco de aumento dos impactos da navegação e riscos de poluição severa no rio Paraguai com potencial de contaminar países rio abaixo (Bolívia, Paraguai e Argentina) a médio e longo prazo. Teme-se a criação de uma Cubatão, uma Corumbatão, em pleno coração do Pantanal.
Época: O pólo bom para a cidade de Corumbá? Débora: A cidade não apresenta capacidade de suporte suficiente para absorver a provável aumento na população, pressionando ainda mais os precários serviços de saúde, educação, segurança e haverá elevação do custo de vida, com a falta de moradia, por exemplo. Não há em todo o Brasil ou no mundo um local em que esses tipos de indústrias não resultaram em altos níveis de poluição.
Época: Quem será beneficado? A população local? Os mais pobres? Débora: Há informação que dos cerca de 500 operários trabalhando na obra de uma siderúrgica, apenas 100 seriam de Corumbá ou do município vizinho, Ladário. Os demais teriam vindo do Maranhão, Pará, Paraná, São Paulo. Isso em detrimento do compremetimento dos políticos e da empresa em empregar preferencialmente mão de obra local. E quando forem contratar mão de obra tecnicamente especializada? A oferta de empregos melhor remunerados fica para pessoas de fora da cidade. Essa é a previsão para Corumbá.
Época: O que os empresários estão fazendo para convencer a população que a indústria será benéfica ali? Débora: Os governos federal, estadual (governo anterior e muito porvavelmente o atual) e municipal pregam a industrialização como a redenção da região que sofre com o desemprego. Os pecuaristas e comerciantes estão apoiando a industrialização apenas como forma de dinamização da economia local. As empresas mineradoras, de siderurgia e de processamento do gás natural não discutem a fundo a questão com a sociedade. Há um inquérito sobre essa questão correndo na Polícia Federal local, devido às manifestações contra pesquisadores que realizaram pareceres técnicos sobre alguns empreendimentos já em processo de licenciamento. Há questionamentos sobre quem deveria realmente estar licenciando a obra. No caso de uma bacia hhidrográfica federal e transfronteiriça, o órgão responsável deveria ser o Ibama.
Época: Qual seria a alternativa econômica para a região? Turismo? Débora: Sim. Várias formas de turismo que hoje se baseiam apenas no turismo de pesca. A cidade é histórica, a cultura pantaneira é riquíssima e os atrativos ambientais imensos. Só falta vontade política.
Dica de André Soares, do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC):
"Muito se fala sobre a escassez de água potável na terra. Segundo o relatório do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas, até o final do século as alterações farão com que a escassez de água afete entre 1,1 e 3,2 bilhões de pessoas. O que muita gente ignora é que em muitas regiões do globo há água caindo do céu o tempo todo. Chuva."
"A pergunta é: porque não aproveitamos essa água, cada um da sua maneira, ao invés de nos torturarmos com a espera de soluções externas? Um simples cano ligando a calha do telhado à piscina pode evitar que alguns gastem repondo a água do lazer. O mesmo sistema pode ser usado para juntar água para lavar o quintal ou até mesmo beber. Sim. Em regiões como a do Ecocentro em Pirenópolis (Goiás) podemos coletar a água da chuva e mandar direto para o filtro. Aqui nós bebemos apenas água da chuva."
"O mais importante é ser criativo para desenvolver formas de economizar em casa. Você se surpreenderá com a capacidade de coleta de água do seu telhado."
22/03/2007
Feche a torneira
Nesse Dia Mundial da Água, o principal tema é a falta dela. Os números são alarmantes mesmo antes das graves conseqüências previstas por diversos estudos para as próximas décadas. Para começar, o consumo de água tem aumentado duas vezes mais rápido que o crescimento demográfico mundial. Para 2030, espera-se que a população mundial chegue a 8,1 bilhões. Com isso, a necessidade de alimentos será 55% maior do que era em 1998. As regiões mais afetadas pela escassez de água são o Oriente Médio e o norte da África, onde vivem pelo menos 2 milhões de pessoas – metade deles são pobres. Além deles, outros países como México, Paquistão, África do Sul, grandes partes da China e da Índia (foto) também padecem do mesmo mal. Nesses lugares, a água doce disponível é usada principalmente para irrigação. Atualmente, 1 a cada 6 pessoas (ou 1,1 bilhão) não tem acesso ao mínimo diário recomendado pela ONU, que é de 20 a 50 litros – para beber, cozinhar e cuidados pessoais. Duas a cada cinco pessoas não têm saneamento básico e 3.800 crianças morrem diariamente vítimas de doenças associadas à falta de água potável e saneamento básico adequado. Que tal começar a fazer sua parte e fechar a torneira enquanto escova os dentes, tomar banhos mais rápidos, deixar o carro sujo mesmo? Sem uso racional da água, as conseqüências podem ser muito piores no futuro.
(Renata Leal)
22/03/2007
Um lugar chamado fora
Dica de Lucia Legan, do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC):
"O que fazemos com o lixo que não pode ser nem reutilizável e nem reciclável? Quando falamos: jogue isso fora!, para onde vai? Fora de onde? Fora da cozinha, talvez. Fora da casa. Fora da rua. Fora da cidade... O que esquecemos é que 'fora' é sempre dentro de algum lugar. Em última instância 'fora' é dentro de algum lixão em uma cidade periférica no meio do mato."
"A maioria das pessoas sabe da crise ambiental que estamos vivendo no planeta. O que é difícil admitir é que, como habitantes, precisamos nos engajar para manter a terra sadia. Por isso reciclar o máximo possível é dever de cada um."
"Hoje em dia, o termo reciclagem é utilizado de forma global. Mas, existe uma diferença entre reciclar e reutilizar. A reciclagem, geralmente, é feita por empresas capacitadas que transformam aquele produto em outro novo. A reutilização também recicla, mas de uma forma mais caseira. Quando você guarda o pote do requeijão ou da geléia e usa para outros fins (seja para colocar sabão em pó ou comida) está reutilizando o frasco."
"Pensando dessa forma você pode reutilizar muitas coisas. Basta ter criatividade. Uma simples caixinha de fósforo vazia pode receber colagens e virar um simpático porta-jóias. Uma camiseta pode virar uma regata, um pano ou até uma almofada. Caixas de leite longa vida podem virar pequenos vasos para mudas, assim como latas de óleo. Muitas das embalagens práticas podem ser reutilizadas em outra função (como as de mel e shampoo). Garrafas pet podem ser usadas como vasos, suporte colorido para vela ou até no lugar de pedras para demarcar o canteiro."
"Seja criativo e comece a reutilizar embalagens e produtos. Assim você diminui o tamanho do seu lixo e colabora com a natureza."
21/03/2007
Canavial ecológico não tem queimadas
Alguns empresários que cultivam cana-de-açúcar no Brasil terão que deixar de usar queimadas, nem que seja para manter a imagem ecológica. Eles foram alçados à categoria de heróis nacionais, por causa do nosso potencial para exportar álcool como combustível para o mundo. Mas, antes de salvar o planeta da dependência no petróleo, o setor precisa resolver alguns hábitos poucos louváveis.
Um deles é o uso de mão de obra em situação irregular. No início da semana, fiscais do Ministério Público do Trabalho encontraram em uma fazenda em Ibirarema (390 km a oeste de São Paulo) ao menos 90 trabalhadores rurais atuando no plantio da cana em condições consideradas "degradantes".
O outro problema é o uso regular de queimadas para preparar o solo. O fogo lança na atmosfera nuvens de fumaça que atrapalham até a aviação civil. As cidades do interior de São Paulo recebem uma chuva de cinzas.
Hoje, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo julgou constitucional uma lei municipal que proíbe toda e qualquer queimada de canaviais em Limeira, a 154 km de São Paulo. O município é um grande produtor de cana. Por maioria de votos, o órgão negou pedido de inconstitucionalidade da lei movido pelos sindicatos da Industria da Fabricação do Álcool do Estado de São Paulo e da Industria do Açúcar no Estado de São Paulo.
Se outros municípios seguirem o exemplo de Limeira, os céus do Estado ficarão mais limpos. Assim como a imagem ecológica do heróico setor de biocombustíveis nacional.
(Alexandre Mansur)
21/03/2007
Menos uma jaguatirica na Mata Atlântica
Esta jaguaritica (Felis pardalis), uma das últimas da Mata Atlântica brasileira, foi atropelada no dia 9 de março na recém inaugurada Rodovia do Arroz (SC-413), que liga Joinville e Guaramirim (SC). O risco estava anunciado. A estrada fragmentou a floresta da Serra do Mar. Ela isolou um fragmento de mata nativa onde fica a reserva natural privda Santuário Rã-Bugio, do Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade ( www.ra-bugio.org.br ). A foto foi feita por Edson José Rodrigues.
Existem técnicas para evitar isso. Quando a construção da estrada é inevitável, é necessário cercar a área de floresta ao longo da faixa de asfalto, porque os animais não sabem atravessar a rua. Para que os bichos cruzem de um lado para o outro da rodovia, existem alguns túneis especiais. São como passarelas de pedestres, que passam por baixo da pista, permitindo a livre circulação dos animais.
Segundo Germano Woeil, do Rã-Bugio, até uma lombada eletrônica funcionaria. "Eu lutei por isso quando estavam asfaltando a rodovia. Cheguei a encaminhar denúncia para o Procurador Geral da REpública, mas ninguém fez nada por enquanto", diz.
(Alexandre Mansur)
21/03/2007
Produza seu alimento
Dica de André Soares, do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC):
"É possível construir jardins e hortas em quintais e áreas pequenas. Tudo depende de planejamento. Essa é a melhor forma de você alimentar a sua família com alimentos orgânicos, saudáveis e com muito mais nutrientes. Quanto mais rápido é o caminho entre a terra e a mesa, mais rico é o alimento. Não tenha medo de misturar vários tipos de plantas. Uma das características de um jardim permacultural é a diversidade. A produção de várias espécies juntas no mesmo canteiro favorece o bom desenvolvimento e evita doenças."
"Pesquise para saber o quanto cada planta cresce e se o seu canteiro é suficientemente grande. Também é fundamental saber a quantidade de água e sol que cada planta precisa. Húmus e biofertilizante são sempre bem vindos e ajudam as plantas a ficarem fortes. E não desenime com eventuais mortes de plantas, é errando que a gente aprende. Veja dois tipos de canteiros possíveis."
Canteiro elevado
"Estruturas de camas velhas, pneus, toras e tijolos são alguns dos elementos que podem ser reciclados para a construção de um canteiro. Você precisará também de uma terra boa e sementes. É adequado montar um pequeno viveiro e passar as mudas para o canteiro apenas quando elas já estiverem crescidinhas. Assim, a chance de sobreviverem aumenta. Lembre que o canteiro precisa ter furos para que a água corra por baixo. Pedras em baixo da terra ajudam nesse processo. Quando as mudas forem plantadas é importante colocar uma cobertura de folhas secas, ou palha de arroz, em seu entorno para proteger a terra do sol."
Canteiros de vasos
"Escolha caixas e potes bonitos. As melhores plantas para vasos são variedades de ervas e saladas. Cogumelos adoram cantos escuros. Existem também algumas árvores frutíferas em miniatura, que crescem no máximo dois metros. Esse canteiro precisará ser regado com freqüência, pois os vasos secam com facilidade. Também é mais prudente criar primeiro mudas em saquinhos ou potinhos individuais para depois transplantá-las para os vasos. Depois de plantadas cubra a terra com folhas secas ou palha de arroz."
A empresa que, segundo a Justiça brasileira, efetuou o maior roubo de terras do mundo, na Amazônia, pode ter de devolver a área ocupada. A história de ocupação da Amazônia é marcada pela ocupação irregular de terra pública. Geralmente por grandes fazendeiros ou empresários. Isso é popularmente chamado de grilagem. Pela primeira vez, um desses grandes incorporadores de terra pública em causa própria será obrigado pela Justiça a devolver o que tomou. A notícia está no site Pará Negócios.
A Indústria, Comércio, Exportação e Navegação do Xingu (Incenxil), empresa do grupo CR Almeida, será obrigada a sair imediatamente da fazenda Curuá. A área fica na Terra do Meio, entre os rios Xingu e Tapajós, no Pará. A determinação é da Justiça Federal, que atende a um pedido do Ministério Público Federal (MPF).
De acordo com dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) citados pelo MPF, a fazenda é a maior área grilada do Brasil, com quase 5 milhões de hectares, o que corresponde aos territórios da Holanda e da Bélgica juntos.
Se essa determinação da Justiça for cumprida, pode representar um marco histórico para toda a Amazônia.
(Juliana Arini e Alexandre Mansur)
20/03/2007
O parque ficou mais perto
O Parque Nacional de Itatiaia, um dos mais antigos e importantes do país, faz 70 anos em 14 de junho. Para comemorar, o Ibama pretende revitalizar suas estruturas de visitação. “A idéia é restaurar sua riqueza histórica e potencializar seus atributos naturais”, diz Daniel Toffoli, do Ibama.
O primeiro evento das comemorações dos 70 anos do primeiro parque nacional brasileiro acontece na próxima quinta-feira, dia 22 de março. No Sesc Pompéia a partir de 20hs será aberta a Exposição 70 anos do Parque Nacional do Itatiaia, com mostras de fotografias, aquarelas e nanquins. São 70 imagens de artistas como Araquém Alcântara, Marcos Sá Correa, Luis Cláudio Marigo, Zig Koch e Roberto Linsker (cuja foto ilustra este post). A exposição vai de 23 de março a 22 de abril de 2007.
"É uma grande oportunidade para apreciar, mesmo que de longe, a riqueza do primeiro parque nacional do Brasil, situado entre as duas maiores cidades brasileiras" diz Walter Behr, chefe do parque.
Endereço da exposição: SESC - Pompéia Rua Célia, 93. São Paulo
(Alexandre Mansur)
20/03/2007
Educação ambiental de verdade
Dica de Lucia Legan, do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC):
"É muito importante que as crianças se relacionem com a natureza. Se nosso objetivo é mudar a rota, nada mais adequado do que educar nossos pequenos na nova direção. Por isso, exija das escolas uma postura alinhada com os novos princípios mundiais. É preciso que as crianças brinquem com sapos e pererecas, por exemplo. É preciso que eles coloquem a mão na terra e vejam como é lindo plantar uma semente e acompanhar o surgimento de uma árvore ou até mesmo ver que nem todas sobrevivem. É importante que eles estejam dentro da natureza e entendam que fazem parte dela."
"Montar espaços naturais dentro da escola pode ser um ótimo começo para despertar o interesse e mostrar na prática como os seres humano estão conectados à natureza. Porque não ter um laguinho? Uma horta e canteiros floridos? Assim a futura geração pode começar diferente da maioria de nós e, quem sabe, garantir um futuro mais promissor do que nosso."
Este é o link para a transmissão ao vivo da audiência pública da CTNBio, o comitê governamental que decide nesta terça-feira, 20, se libera no Brasil algumas variedades de milho transgênico. O link é: http://wm.interlegis.gov.br/interlegis_2
A reunião ocorre nesta terça, a partir das 8h. A transmissão vai ser via streaming. O evento não promete exatamente um show, mas pode ser uma oportunidade para ver como são tomadas algumas decisões em Brasília.
(Alexandre Mansur)
19/03/2007
Fórmula Indy movida a álcool
A preocupação com o aquecimento global chegou ao automobilismo. Os carros da Fórmula Indy usarão álcool em seus tanques. Na Fórmula 1, a Honda abriu mão das marcas de patrocinadores e estampará a imagem da Terra, num carro verde e azul. A pedido do Blog do Planeta, o piloto baiano Tony Kanaan, da equipe Andretti Green, comentou o assunto.
“A partir desse ano, a preocupação com o meio ambiente também faz parte da Fórmula Indy. Aqui nos Estados Unidos, vocês devem saber, o etanol se tornou uma das principais palavras do presidente Bush, como opção de combustível na frota de veículos do país e, por que não, do mundo. Esse também foi o principal tema de sua viagem ao Brasil, onde tratou de um acordo importante. O Brasil é um exemplo para o mundo na produção de etanol, o nosso álcool."
"A Fórmula Indy também engajada em mostrar que o etanol pode ser uma boa alternativa, na temporada deste ano, que começa no dia 24 de março, em Miami, abastecerá todos os seus carros com 100% de etanol. Além da divulgação e conscientização ao povo norte-americano sobre a economia e os benefícios na utilização do combustível renovável, que até pouco tempo era desconhecido pelos grandes consumidores, a introdução do etanol na Fórmula Indy é também uma forma de amenizar a poluição emitida pelos próprios carros da categoria. É a primeira categoria automobilística no mundo a adotar tal medida e, sinceramente, espero que seja um exemplo para as demais."
"Já vimos manifestações como da Honda na Fórmula 1, que trocou logomarcas de empresas no carro por doações a entidades envolvidas com o meio ambiente, além de montadoras da F-Truck, que plantarão árvores em virtude da emissão de gases poluentes. Acredito que são ações como cada um de nós mudar alguns hábitos e, por exemplo, plantar duas mudas de árvores, que fazem a diferença no final. Assim seremos grandes vencedores.”
(Renata Leal)
19/03/2007
Para onde vai a sua água?
Dica de André Soares, do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC):
"O mundo está em alerta. Desperdiçar água hoje é quase um crime. Pois bem, o que muitos não percebem é que muita de nossa tão preciosa água limpa está sendo jogada fora via vaso sanitário. A Sabesp nos conta através de seu site que uma privada gasta em média entre 10 e 14 litros de água por descarga, podendo chegar a inutilizar 30 litros quando está desregulada. Você já contou quantas descargas dá por dia? Faça a conta em litros e pasme com a quantidade de água limpa que você está inutilizando."
"Como não dar descarga está fora de questão e os banheiros secos ainda estão longe de virarem realidade para a maioria podemos usar alguns truques para diminuir o desperdício. Uma garrafa pet cheia de água pode ser colocada no reservatório da descarga, assim ele nunca ficará efetivamente cheio e você desperdiçará alguns litros a menos de água a cada vez que usar o vaso."
18/03/2007
Consumidor influente
Dica de Lucia Legan, do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC):
"O consumo consciente é uma das principais armas do consumidor. Dizer não à produtos que destroem o meio ambiente, à empresas poluidoras e mercadorias que trazem mais lixo do que o produto em si é uma forma de protesto. Seja exigente! Nessa hora muita gente diz: mas eu sozinho não mudarei nada. Foi pensando assim que chegamos onde estamos. O certo é fazer e ainda convencer uns três ou quatro a mudar de atitude."
"Pesquise sobre as empresas que você tem colocado com frequência dentro de casa. Será que os princípios ambientais (e sociais) deles estão de acordo com os seus? Prefira sempre produtos que vêm com pouco lixo, ou seja, recuse aqueles que vêm dentro de um saquinho que vem dentro de uma caixinha, que vem dentro de um papel filme que vem dentro... Nesse caso você está comprando mais lixo do que produto. E esse é sempre um mau negócio."
"Lembre que a Terra é a sua casa. É aqui que moramos e é aqui que vamos ficar. Portando, quanto mais lixo pior. Hoje, já existem milhares de sites sobre consumo consciente no Brasil e no exterior. A informação está circulando, basta querer gastar alguns minutos para alinhar o que você compra com o que você acredita."
17/03/2007
A paranóia amazônica
É incrível. Depois de vários desmentidos, continua circulando na internet a história apócrifa de que alguém teria descoberto um livro didático americano mostrando o Brasil sem a Amazônia. Ela vem com a imagem do suposto livro (foto acima). Essa fantasia paranóica começou a circular há mais de 5 anos na internet. Já gerou ondas sucessivas de polêmicas. Todas se encerraram quando as investigações descobriram que não passa de uma brincadeira. Mesmo assim, a fantasia continua circulando na rede, assuntando os incautos. A piada circula na forma de email. Segundo o spam, o texto traduzido do livro didático diria o seguinte:
“Desde meados dos anos 80 a mais importante floresta do mundo passou a ser responsabilidade dos Estados Unidos e das Nações Unidas. É chamada PRINFA (A Primeira Reserva Internacional da Floresta Amazônica), e sua fundação se deu pelo fato de a Amazônia estar localizada na América do Sul, uma das regiões mais pobres do mundo e cercada por países irresponsáveis, cruéis e autoritários. Fazia parte de oito países diferentes e estranhos, os quais, em sua maioria, são reinos da violência, do tráfego de drogas, da ignorância, e de um povo sem inteligência e primitivo. A criação da PRINFA foi apoiada por todas as nações do G-23 e foi realmente uma missão especial para nosso país e um presente para o mundo todo visto que a posse destas terras tão valiosas nas mãos de povos e países tão primitivos condenariam os pulmões do mundo ao desaparecimento e à total destruição em poucos anos.”
É triste ver que há gente que se preocupa mais em espalhar esses boatos do que em incentivar a preservação da floresta propriamente dita. Se cada um que repassa o spam procurasse comprar madeira certificada, isso teria um grande impacto na economia do desmatamento. Na velocidade que os brasileiros – que são os grandes consumidores de madeira tropical - vêm destruindo a Amazônia e, agora, com ajuda do efeito estufa, em poucas décadas não deve mais restar muita floresta para virar a tal reserva internacional. E provavelmente, seguindo a dinâmica dos spams na internet, o incrível email apócrifo continuará circulando pela rede, como uma ironia final.
(Alexandre Mansur)
17/03/2007
Saquinho? Não obrigado!
Dica de André Soares, do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC):
"Levar sacolinhas plásticas para casa virou uma atitude automática para a maioria das pessoas. Ninguém nem pára para pensar. Apenas levam. Algumas pessoas garantem que pegam porque têm utilidade para elas, mas a grande maioria acaba usando apenas porque não sabe o que fazer com aquele bando de plástico. Mas, é bom que se frise que essas sacolas são fruto de uma fonte de energia não renovável: o petróleo. Fora isso, são grandes vilãs no mar, matam animais marinhos asfixiados e ainda colaboram com inundações urbanas por entupirem bueiros e bocas de lobo."
"Se não precisamos tanto delas, porque não nos libertamos? Saia de casa distraído e pronto. Você volta com algumas sacolinhas. Farmácia, lojas, padarias, bancas, vídeo locadoras... há sempre alguém empurrando uma sacolinha pra você. Mas será que um DVD precisa vir numa sacola? E o pão que já está no saco de papel? Pequenas caixinhas de remédio, então, nem se fala." "O segredo está na consciência, em ser mais ativo e mudar de hábito. Muitas de nossas compras não precisam de sacolas e no caso de compras maiores não é difícil: Basta levar uma sacola de feira, de pano ou até mesmo uma mochila e dizer: sacolinha? Não, obrigado."
16/03/2007
Poder bater no peito dizendo: eu faço
O mundo está agitado. É praticamente uma gritaria sobre como mudar as drásticas previsões relacionadas aos efeitos do aquecimento global. Um possível futuro presidente dos Estados Unidos mobilizando pelo discurso. Relatórios. Manifestos. Árvores sendo plantadas (por instituições que já o faziam) aqui e ali para aliviar a consciência dos outros. Mas e o seu vizinho? Sua família? A escola dos seus filhos? Você mesmo, tem feito o quê para reverter o quadro? Muitas vezes fica parecendo que a resposta está nas mãos de governos e instituições, mas no fundo eles também são controlados por pessoas como nós. E se eles não fazem em casa, porque cargas d`água farão em grande escala?
Informação não falta. Basta querer. Todos nós produzimos lixo. Todos nós misturamos o precioso lixo orgânico, fruto da terra e para onde ele deveria voltar limpinho, com plástico, papel higiênico e bituca de cigarro. Todos nós usamos a descarga e mandamos em um aperto de botão praticamente 15 litros de água limpa para o lixo. Todos nós pegamos milhares de sacolas plásticas no supermercado.
É possível sim mudar. A partir de hoje, o Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC) (www.ecocentro.org ) e o Blog do Planeta ajudarão você a mudar pequenos (e não tão pequenos) hábitos para participar, de fato, de um movimento global contra o aquecimento. Dicas para você aplicar em casa e poder bater no peito dizendo: eu faço.
A primeira dica é sobre o lixo. Quem explica o que fazer é Lucia Legan, do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC):
Misturar restos de comida com outros lixos é um de nossos grandes erros. Não há mais espaço para aterros e lixões e aumentar esse volume com algo que poderia estar enriquecendo nossos solos é um atraso. Os nutrientes presentes nos restos de comida desperdiçados são alimento para a terra. Com eles podemos ajudar árvores, hortas e canteiros a fornecerem terra de qualidade para as plantas.
Com esses restos é possível fazer um composto, um fertilizante feito em casa. Composto é uma cultura viva, em que microorganismos convertem matéria orgânica morta em uma substância quebradiça marrom que chamamos húmus. Quem gosta de ter vasinhos e plantas sabe bem o que é isso. Sacos de húmus custam caro! Mesmo em casas pequenas é possível montar uma pequena pilha de compostagem no jardim. Mas, como muita gente não tem disposição e espaço para isso (se tiver escreva pra gente que ajudamos na empreitada), fica a dica de separar o lixo orgânico e colocar em um buraco no jardim (de casa ou do prédio). Você pode cobri-lo com palha ou papelão se quiser. Também pode alternar o local do buraco de tempos em tempos para que várias áreas sejam beneficiadas. Dá trabalho? Sim, um pouco. Mas ninguém disse que mudar o mundo é uma tarefa simples. (Lia Bock)
Cientistas e ambientalistas estão apavorados com as obras de instalação de um complexo siderúrgico em Corumbá, no meio do Pantanal. Alguns estudos de impacto sugerem que as indústrias pesadas podem contaminar as águas e o ar do precioso ecossistema. Além disso, a siderúrgica, da empresa EBX, de Eike Batista, não indicou de onde vai tirar o carvão vegetal para alimentar os fornos. Tradicionalmente, as usinas produzem esse carvão a partir de desmatamento ilegal em larga escala. Teme-se o que pode acontecer no Pantanal se o mesmo método de extração de matéria-prima for empregado por lá.
O representante da Fundação Avina, Miguel Milano, explica como a união de empresários, governo e sociedade pode tornar menos impactante para o Pantanal a instalação de indústrias de ferro e maganês na região.
Época: Quais são os riscos para o Pantanal da implantação dessas usinas? Miguel: Antes de tudo, tem de ser trabalhado um planejamento adequado para a instalação dessas usinas. Assim, o Pantanal estará protegido de possíveis impactos ambientais. Tem de se controlar fortemente esse processo, com boa tecnologia. Se assim não for feito, o Pantanal, que é hoje um dos biomas brasileiros menos afetados diretamente por ações antrópicas de grande envergadura, como as grandes cidades e a industrialização intensiva, pode ser ferido de morte num processo de instalação de indústria não planejado e pouco cuidadoso.
Época: O que se pode fazer para evitar a agressão ambiental? Miguel: É necessário que se faça um estudo cuidadoso para se entender se há viabilidade técnica de implantá-las no Pantanal. A viabilidade técnica tem de estar de acordo com a legislação, o que dará maior segurança para o meio ambiente. Além disso, todas as informações têm se ser postas à mesa para serem discutidas por todos os envolvidos no processo, ou seja, pela sociedade, pelo governo e pelos empresários. Tudo isso evitará que o Pantanal tenha o mesmo destino de outros ambientes naturais, como a Mata Atlântica, que possui apenas 7% da área original.
Época: Como é possível harmonizar os interesses do empreendedor e do conservacionista? Miguel: Estamos chamando isso de plataforma de diálogo. O diálogo e a conseqüente negociação entre representantes de ONGs e das empresas parte de um princípio fundamental que o mínimo que a legislação ambiental exige é pouco para o Pantanal. E foi fundamental que as empresas aceitassem este princípio para que pudéssemos estabelecer o diálogo e a negociação aqui. Mas para que as ONGs e as empresas pudessem dialogar e negociar em padrão de igualdade a melhor forma de instalar uma indústria no Pantanal, era necessário uma base de estudos científicos completamente isenta e que servisse aos dois lados. Convidamos representantes do Ministério Público Estadual, que participa de todas as reuniões, ajudando a promover esse diálogo de construção da consciência ambiental das empresas.
Época: Quantas organizações estão engajadas no projeto plataforma de diálogo? Em que pé está o processo? Miguel: Apesar de poucos resultados alcançados até o momento, o projeto que está em curso conta com a participação de cinco empresas que estão instaladas no local, além de 10 ONGs engajadas. Até agora o que foi logrado foi o acordo com relação às bases e princípios e a decisão de que esse estudo necessário do qual falei seria custeado pelas empresas. Para isso foi definida uma organização de comum acordo considerada capaz de realizar esse estudo. É a coordenação de pós-graduação em engenharia (Coppe) da UFRJ.
Época: Esse diálogo pode se transformar em um exemplo para o país? Miguel: A partir do momento que o projeto reúne em uma mesma mesa para discutir o que é o melhor para a sociedade, setores tidos e vistos ao longo da história recente como antagonistas - como ONGs e empresários - ele pode ser um tremendo exemplo. Talvez já comece a ser exemplo o fato de a Petrobras aderir à plataforma. A estatal enxerga no projeto um potencial estudo de caso que ela própria pode vir a aplicar em outras circunstâncias. Outra grande conquista é que as empresas participantes concordaram em custear esse estudo, que custará cerca de R$ 1 milhão. Já é um bom começo.
(Ana Paula Galli)
14/03/2007
A maçã da sua avó era mais pura?
A médica anestesiologista e intensivista Sandra Goraieb, escreveu um post recente sobre a contaminação química que acumulamos ao longo da vida. É um tema recorrente entre defensores de alimentos orgânicos, livres de transgênicos ou, ao menos, com menos aditivos. Eu levantei o seguinte questionamento: Se as substâncias químicas nos envenenam, então por que os cidadãos dos países mais ricos e industrializados, que ingerem mais desses ingredientes, têm uma expectativa de vida maior? Sandra mandou uma resposta interessante para o questionamento. Acho que vale dividir com vocês:
Escreveu Sandra: “Vou te dar uma explicação parcial deste paradoxo. O cálculo de esperança de vida leva em consideração vários fatores e não somente a taxa de mortalidade. Como eu tinha dito a questão é multifatorial. Depende muito do estilo de vida. Dito isto, leve em consideração que as populações em países industrializados estão envelhecidas, a pirâmide etária em muitos lugares já se inverteu. Prenda como exemplo a própria Itália. A média etária hoje é de cerca 42 anos.”
“Compare como era a alimentação das crianças há 42 anos e a alimentação das crianças agora. Me lembro que quando era menina não existia esta enorme oferta de produtos semi prontos ou prontos para consumo e que snacks não eram considerados merenda escolar. Eram outros tempos, outros hábitos. As mães faziam feira, cozinhavam os alimentos que encontravam disponíveis. Existiam as frutas da estação, lembra disso?”
“Bem, o WWF fez o mesmo raciocínio e patrocinou um estudo como parte da campanha DeTox. Este estudo analisou e comparou o grau de contaminação química em famílias nos diversos países europeus em três gerações. A conclusão foi bastante interessante: todos os indivíduos apresentavam graus de contaminação, as gerações mais velhas apresentavam contaminação principalmente por substâncias como PCB e pesticidas, enquanto as novas gerações eram muito mais contaminadas que as anteriores por novos agentes químicos.”
“Os cálculos atuais de esperança de vida levam em consideração ainda gerações em que a exposição era qualitativamente diferente do que as gerações atuais. Além disso não se pode comparar esperança de vida onde os serviços sanitários são disponíveis capilarmente, a educação é de bom nível, os cidadãos não precisam fugir de balas perdidas e atravessar sinais de trânsito sem parar, onde o acesso à informação é disponível para todos.”
“A pergunta real a se colocar seria: Vai valer a pena esperar o tempo necessário para vermos os efeitos destas substâncias comprovados no cálculo da esperança de vida? Vamos pagar para ver? Sinceramente, eu preferiria evitar.”
(Alexandre Mansur)
13/03/2007
Boicote ecológico
Boicotar empresas ambientalmente não corretas está sendo a estratégia de muitas ONG no mundo para diminuir o impacto ambiental de alguns produtos. É o que faz o Ipec, Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado brasileiro. A ONG tem como um dos maiores objetivos conscientizar as pessoas sobre o consumo exagerado de recursos não renováveis. A australiana Lucia Legan, fundadora do Ipec, por exemplo, só consome produtos locais e orgânicos. Ela é pedagoga e especialista em jardinagem. Desenvolve projetos de educação ambiental. Lucia explica como algumas instituições fazem para boicotar as empresas que julgam nocivas:
Época : Por que precisamos boicotar as empresas tidas como ambientalmente incorretas? Lucia: Porque elas destroem a nossa natureza.
Época: Você acredita que essa estratégia funciona? As empresas sentem o boicote? Lucia: Na maioria das vezes sim. Por exemplo: em 1995 os franceses começaram a fazer testes nucleares na Polinésia. Isso gerou uma revolta da população da Austrália e da Nova Zelândia, que ficam muito próximas do país. Tínhamos medo de que a poeira nuclear chegasse até o país. Para protestar contra esses testes os australianos e neozelandeses não compraram mais nenhum produto francês, como das marcas Nestlé e L'Oreal. Depois de uma semana esses testes foram interrompidos
Época: Quais são as formas de boicotar as empresas? Lucia: O boicote consiste em não comprar produtos de multinacionais. Sempre compramos produtos locais. A empresa Adidas usa pele de canguru para fazer os produtos. Os vegetarianos a estão boicotando. Além de não comprarem os seus produtos, espalham a notícia na internet.
Época: Para não agirmos de forma injusta, como podemos avaliar corretamente uma empresa antes de a boicotarmos? Lucia: Essa é uma questão muito importante. E são as ONGs que devem orientar as pessoas. Elas precisam fazer pesquisas e informar a população sobre a seriedade das empresas e indicar produtos que são corretamente ecológicos. Mas, infelizmente, ainda há poucas pesquisa sobre isso. O grande problema do boicote é o fato de não sabermos de onde as empresas extraem a matéria-prima. Isso acontece, principalmente, em países subdesenvolvidos como oBrasil. Depois de extraírem tudo o que precisam, elas vão embora e ficam só os problemas sociais para o país. Muitas vezes as empresas nos enganam. Pensamos que estamos comprando uma coisa, mas na verdade estamos comprando muita destruição de pessoas e do meio ambiente.
(Paula Protazio)
12/03/2007
A Chapada dos Veadeiros vai virar pasto?
O Parque Nacional das Chapada dos Veadeiros, uma das áreas mais importantes para a biodiversidade do cerrado, e um dos principais destinos de ecoturismo no Brasil, está ameaçado. Um grupo de 18 fazendeiros, vindos do Distrito Federal, Paraná, Goiás, Santa Catarina e Rio de Janeiro, está movendo ação popular solicitando a extinção da Área de Proteção Ambiental (APA) do Pouso Alto. É uma unidade de conservação estadual com 872 mil hectares. Criada em maio de 2001, a unidade é essencial para garantir a proteção e o uso sustentável dos recursos naturais únicos da Chapada dos Veadeiros, declarada Sítio do Patrimônio Natural pela Unesco. No último dia 18 de janeiro, a Comarca de Alto Paraíso, concedeu liminar que suspende a implementação da APA. O alerta está no site da ONG Conservação Internacional.
Dois terços do cerrado brasileiro já foram descaracterizados por fazendeiros ou pecuaristas. A maior parte disso hoje é terra abandonada ou mal aproveitada. Será bom negócio visar agora uma das mais importantes áreas de conservação e turismo do Brasil? Será que está faltando terra para soltar os bois?
Por que todos os ecologistas são contra os transgênicos? Será que a gente tem de comprar o pacote completo? Como um combo ecológico? Bom, talvez esteja na hora de repensarmos um pouco isso. Afinal, por que essa tecnologia ainda assusta tanto?
Basicamente, os transgênicos são fruto de uma técnica que permite acrescentar no DNA de plantas e animais, alguns genes com características específicas, como resistência a pragas. No caso de plantas, essa técnica levantou dois riscos teóricos. O primeiro é que a planta geneticamente alterada possa ser tóxica para as pessoas. A segundo é que a planta possa cruzar com variedades silvestres e passar adiante a característica adquirida. Isso seria ruim se você tiver um trigo resistente a uma lagarta, por exemplo, porque ele passaria a resitência para o trigo selvagem, que trasmitiria isso para as outras plantas. E, em algum momento, a lagarta se adaptaria e comeria toda a plantação.
Só que os estudos científicos não comprovaram riscos até agora. Os primeiros transgênicos foram desenvolvidos 1986. Nesses 21 anos, os transgênicos foram exaustivamente testados. Cada variedade transgênica, é mais testada do que uma fruta de melhoramento genético comum ou um fruto de enxerto. Se houve algum risco, o produto foi tirado do mercado. Até hoje, não surgiu nenhum transgênico tão tóxico quanto um camarão pode ser para alguém com alergia. Isso não quer dizer que os transgênicos não devam ser testados. Eles precisam ser. É por isso que são, teoricamente, mais seguros do que os outros produtos.
Por que as pessoas continuam temendo os transgênicos? Eles são aprovados por órgãos rigorosos, como a FDA, a agência que controla remédios e alimentos nos EUA. Você não vê médicos em congressos de medicina lançando alertas contra os transgênicos, como eles fazem contra o tabaco ou os alimentos gordurosos. Será que os cientistas foram comprados pela indústria da biotecnologia? Ou será que eles estão mais preocupados com outros assuntos mais preocupantes, como a falta de comida em alguns cantos do mundo e a epidemia de obesidade em outros?
Nós brasileiros encaramos evidências de ameaças ecológicas bastante sérias, como desmatamento da Amazônia, extinção em massa de espécies, mudanças climáticas e destruição de mananciais. Já são desafios bem grandes. Diante disso, será que vale a pena dispersar energia combatendo uma tecnologia agrícola por causa de um risco teórico? Aceito contestações.
Sandra Goraieb, médica anestesiologista e intensivista, escreveu um comentário recente neste Blog do Planeta, levantando um tema pouco usual: a contaminação química que acumulamos ao longo da vida. Isso ganhou um termo em inglês: body burden. Pedi para ela explicar melhor esse conceito. Aí vai a explicação da Sandra:
“Body burden é o termo que define contaminação química, ou seja, a quantidade de substâncias químicas alheias ao organismo humano que se acumulam em um dado momento no corpo de cada indivíduo."
"Vou dar um exemplo para tornar mais simples: plásticos não fazem parte da normal composição química de um ser humano, porém todos os habitantes da Terra já apresentam algum tipo de substância plasticizante adquirido por contaminação ambiental. Ingerimos alimentos contaminados com moléculas plásticas (como o Bisfenol A, por exemplo), os inalamos ou os absorvemos através da pele ( ex: aditivos em perfumes e cosméticos). São coisas que usamos de maneira frequente e aparentemente não causam toxicidade aguda evidente. O problema é o acúmulo a longo prazo de doses ínfimas. Uma grande parte destas substâncias possui atividade endócrina, algumas mais potentes do que outras e que em indivíduos predispostos pode levar a uma maior incidência de patologias."
"Resumindo, refletimos dinamicamente o ambiente no qual estamos inseridos, e nossa saúde vai depender da nossa bagagem genética e da capacidade de retornarmos ao estado de equilíbrio necessário para sua manutenção. O fato é que esta é uma consequência da sociedade na qual vivemos. É praticamente impossível para o cidadão comum se tornar ecologicamente perfeito do dia para a noite. Efetivamente precisamos chegar a uma solução rápida e de grande aderência. A única saída é procurar por alternativas mais seguras através da tecnologia e investir na educação do cidadão para que possa compreender a magnitude do problema. O esforço teria que ser unânime, tanto quanto a questão do clima, pois o problema é já ubíquo no planeta.”
Será que estamos contaminados? Se as substâncias químicas nos envenenam, então por que os cidadãos dos países mais ricos e industrializados, que ingerem mais desses ingredientes, têm uma expectativa de vida maior? Nós vamos tentar aprofundar esse assunto em outros posts.
(Alexandre Mansur)
10/03/2007
Vocês entrevistaram o André Soares
Nossa entrevista com pesquisador André Soares, diretor do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC), gerou comentários dos leitores. Inclusive algumas dúvidas bem pertinentes. Como uma função deste blog é justamente estimular o diálogo, encaminhamos as perguntas para o André responder. Aí vai a tréplica dele, então:
Leitor: Muito interessante essa crítica à monocultura. Mas, como podemos fugir disso? André: A monocultura não é o que alimenta o Brasil. Mais de 70% dos alimentos consumidos em casa são de origem da agricultura familiar. Grandes monoculturas de cereais servem para equilibrar a balança comercial. Para fugir de alimentos contaminados ou produzidos com dano ao ambiente o melhor é comprar de feiras locais e estabelecer uma relação direta com os produtores, assim é possível ter certeza da origem dos alimentos que consumimos.
Leitor: Como se certificar se a produção e orgânica ou ecologicamente correta mesmo? André: Embora existam sistemas de certificaçao de produção orgânica, a maioria dos alimentos orgânicos não é certificada ainda, pois este processo custa muito para o produtor familiar. A melhor forma de se certificar de que a origem do alimento é ecológica (e orgânica) é conhecer o produtor.
Leitor: E o que mais nós consumidores podemos fazer para exigir qualidade e seriedade dos produtores? André: Podemos participar da produção! Muitos produtores ficariam muito felizes de receber uma visita de seus clientes. Melhor ainda se for para ajudar. Hoje já existem em vários países sistemas de produção agendada, onde os consumidores se reúnem em uma cooperativa de compras e organizam a produção juntamente com o agricultor, de forma que o custo seja menor e qualidade do alimento melhor.
Leitor: Muito boa a entrevista. Só senti falta de uma discussão sobre a ameaça dos transgênicos, que estão na bica de invadirem o país, quando o resto do mundo começa a perceber a roubada que é - para o meio ambiente e para os agricultores também, que ficam reféns da indústria de biotecnologia... André: Tem razão. Faltou espaço para esta discussão. Quanto aos transgênicos, acredito que aqui no Brasil também o público é em geral contra, e vai demonstrar isto quando estiver bem informado quanto a origem do que estão comprando. Portanto é importante que as regras de rotulação de alimentos sejam cumpridas e fiscalizadas, e que existam leis que obriguem a declaração da origem de todos os alimentos. (Alexandre Mansur)
10/03/2007
O menor sapo do Brasil
O pessoal do Instituto Rã-Bugio, de Santa Catarina, colou no YouTube um vídeo com o menor sapo do país. Talvez o menor do mundo. É o sapo pingo-de-ouro, da família Brachycephalidae. Já se sabia que a espécie ocorria nos trechos mais altos de mata atlântica, do Espírito Santo ao Paraná. Mas esse é o primeiro registro em Santa Catarina. Foi feito pela educadora ambiental Elza Nishimura e o ambientalista Germano Woehl Jr. "O que mais nos preocupa é que essa espécie de sapo está em propriedade privada, fora de unidades de conservação", diz Germano. "Essas áreas estão sujeitas a grandes incêndios (criminosos), para pastagens e plantio de pinus, com um que ocorreu em julho de 2006. Devastou 2000 hectares, atingindo fragmentos de áreas preservadíssimas".
(Alexandre Mansur)
09/03/2007
Lá se vão as araucárias
O pesquisador Germano Woehl, do Instituto Rã-Bugio, de Santa Catarina, denuncia que o desmatamento em Santa Catarina é intenso e está fora de controle. Diz Germano: “As Matas de Araucárias (localizadas em áreas planas) não devem durar mais do que alguns meses. Vejam a foto desta semana. Foram flagrantes em dois locais do município de Campo Alegre, SC, planalto norte catarinense. Uma área é de 10 ha. e outra de 3 ha. Há dezenas de casos semelhantes, em toda a parte”.
O corte de araucária é ilegal. Os dois desmatamentos foram autuados pelo Ibama. Mas isso tem pouco efeito para inibir a destruição desse ecossistema único no país.
(Alexandre Mansur)
09/03/2007
Além do real
A artista plástica novaiorquina Katinka Matson descobriu uma nova maneira de registrar a beleza da natureza. Ao invés de fotografar usando as lentes da máquina, ela aprimorou formas de manipular os scanners. O resultado são imagens impressionantes de flores. Extraordinariamente realistas. Ela podia fazer um catálogo das espécies ameaçadas de extinção. (Alexandre Mansur)
08/03/2007
Malhar também gera energia
Os frequentadores da academia California Fitness, em Kong Kong, ganharam mais um motivo para se acabar nos exercícios. Além de perder quilinhos e melhorar o condicionamento físico, podem economizar energia. A academia instalou um sistema que transforma em eletricidade a energia gerada ao se pedalar na bicicleta ergométrica ou correr na esteira. O sistema é ligado na rede elétrica do prédio, "abastecida" pelos exercícios dos frequentadores. Ao diminuir o consumo de energia, também caem as emissões de gases causadores do efeito estufa, gerados pela queima de combustíveis fósseis em termelétricas.
A idéia poder ser estimulante para os frequentadores da academia, mas, infelizmente, está longe de diminuir de maneira significativa a demanda por energia elétrica. Mesmo que os 13 equipamentos da academia ligados ao sistema estejam em pleno funcionamento, a eletricidade gerada só seria suficiente para acender uma lâmpada de 60 Watts. Para compensar o gasto que a academia teve com a instalação do sistema, US$ 15 mil, os equipamentos teriam de funcionar 10 horas por dia durante 82 anos.
Se você se empolgou com o sistema, veja como economizar energia dançando no informativo do site da revista Nature. (Marcela Buscato)
Enquanto o governo federal não decide qual será a direção de suas políticas públicas para a conservar a maior floresta tropical do mundo, governos da região continuam lutando para transformar a Amazônia em uma grande potência agrícola. Primeiro foi a pecuária nos anos 60, depois a chegada da soja na década de 80, e agora, a nova ameaça da floresta é a produção de cana-de-açúcar. Cientistas do clima já alertaram que o derrubar florestas para produzir etanol não é a melhor opção climática para o Brasil fugir das conseqüências negativas do aquecimento global. Mas, o alerta parece não ter sensibilizado muitas pessoas.
Essa semana a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, propôs ao presidente Luís Inácio Lula da Silva utilizar os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para transformar o Pará num grande produtor de álcool. De acordo com a proposta da governadora, o plantio iria acontecer apenas nas áreas já degradadas. Resta saber como o estado que é campeão de desmatamento, trabalho escravo e roubo de terras públicas, irá fiscalizar e conter a expansão da cana-de-açúcar nas áreas de floresta.
Vale lembrar que a redução da expansão da lavoura de soja na floresta só ganhou um ponto final no ano passado. Foi preciso que o Greenpeace enfrentasse os produtores de soja de Santarém para que o mundo despertasse para o problema. Mas as ameaças à floresta em pé não param por ai.
Ontem, o braço financeiro do Banco Mundial, o IFC, começou avaliar a solicitação do Grupo Bertin - maior exportador de carne do Brasil - para um empréstimo de U$ 90 milhões. Caso o grupo consiga o apoio do IFC, grande parte desse dinheiro será aplicado na expansão do grupo no Pará. Com isso a capacidade de abate na região crescer de 250 para 500 mil cabeças. Demanda que irá agir como um propulsor de crescimento do atual rebanho de 60 milhões de cabeças de gado que vivem nas pastagens da Amazônia. Hoje, pesquisadores e ambientalistas apontam a pecuária como a principal responsável pela conversão da floresta em capim e pelas queimadas. Será que mesmo com esse cenário de devastação é realmente uma boa opção levar a cana-de-açúcar para a floresta?
(Juliana Arini)
07/03/2007
Independência energética
Preocupados com emissão de gases causadores do efeito estufa e com o valor da conta de energia no fim do mês, vários habitantes de Washington, nos Estados Unidos, estão adaptando suas casas para dependerem menos da energia que vem das termétricas. Segundo reportagem do jornal americano “The Washington Post”, empresas do setor público estimam que pelo menos 19 casas na região de Washington já tenham adotado formas alternativas de gerar energia.
Um dos moradores instalou um forno alimentado pela queima de milho para aquecer a casa e painéis solares para esquentar a água. Outro providenciou uma pequena turbina eólica e uma célula combustível movida a hidrogênio para gerar energia. Um terceiro trocou o isolamento térmico da sua casa, antes feito de fibra de vidro, por placas de soja e amido. Além de se decompor mais facilmente, o novo revestimento conserva muito mais o calor ou o ar gelado, reduzindo a necessidade de calefação ou de ar-condicionado.
O interessante nessa história é como os moradores dos Estados Unidos, que dependem muito mais de energia para aquecer suas casas durante o inverno rigoroso, conseguem usar outras formas de energia. Por que não diminuir a dependência energética das nossas próprias casas no Brasil? Falta concientização da população ou incentivos governamentais? Claro que a energia consumida aqui pode ser considerada mais limpa porque é produzida a partir do represamento da água, nas usinas hidrelétricas. Porém, não se pode descartar a desvatação das áreas que são inundadas para o represamento e a conseqüente emissão de metano (um dos gases causadores do efeito estufa) em razão da decomposição da vegetação. Além disso, 14% de nossa energia é produzida por termelétricas, movidas a gás natural, carvão mineral ou óleos derivados de petróleo e grandes emissores de gás carbônico.
Quem já tiver experiências desse tipo para relatar pode mandá-las para o e-mail mbuscato.colaborador@edglobo.com.br. Elas serão divulgadas aqui no blog e, quem sabe, poderão ser replicadas Brasil afora.
(Marcela Buscato)
06/03/2007
A maré não está boa para os céticos profissionais
Uma organização de lobby chamada American Enterprise Institute (AEI), ofereceu US$ 10 mil a cientistas e economistas para que ponham em xeque o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). A notícia vem do blog O Escriba. A AEI é um centro de estudos conservador financiado por uma das maiores petrolíferas do mundo, ExxonMobil. Não é a primeira vez que isso acontece. Nem será a última.
O estatístico dinamarquês Bjorn Lomborg, autor do controvertido livro O Ambientalista Cético, era um dos críticos mais badalados. Dizia que não haviam evidências suficientes para comprovar o efeito estufa. Mas perdeu credibilidade nos últimos anos. Ninguém mais fala dele.
Conforme já abordamos em uma reportagem sobre esses céticos, o que está em jogo é o rumo das indústrias do planeta que trabalham com petróleo, automóveis e energia elétrica. Até 2002, as empresas petrolíferas financiavam os críticos por meio de uma associação chamada Coalizão Global do Clima. Depois disso, houve um recuo e o dinheiro passou a percorrer uma miríade de outras entidades de pesquisa. A multinacional Exxon, dona da Esso, patrocina Steven Milloy, responsável pelo site cético Junkscience. Um dos grupos, Cidadãos por uma Economia Forte, chegou a tentar tirar o tema dos livros didáticos do Texas. A American Enterprise Institute é apenas mais uma dessas organizações efêmeras de lobby.
A boa notícia é que a comunidade científica está cada vez mais mobilizada e cada vez mais rápida para denunciar essas tentativas de descrédito.
(Alexandre Mansur)
06/03/2007
Até quando os EUA vão precisar de nós?
Os Estados Unidos estão decididos a acabar com seu vício em petróleo, como o presidente George W. Bush chamou a dependência americana no combustível fóssil. Em 2017, os americanos terão de produzir 35 bilhões de barris de energia renovável segundo meta estabelecidade por Bush. Não importa se a motivação seja depender cada vez menos dos países do Oriente Médio ou diminuir as emissões de gás carbono para frear o aquecimento global. O fato é que o governo americano tem aumentado os incentivos para desenvolver fontes alternativas de energia. E a principal aposta são os biocombustíveis.
A visita de Bush ao Brasil na próxima sexta-feira dará ínicio as negociações para aumentar o uso de etanol nos Estados Unidos. O presidente Lula, por sua vez, deverá pedir a isenção de impostos para o álcool brasileiro importado pelos americanos. Os Estados Unidos já produzem o combustível a partir do milho. Porém, o país não tem mais espaço para expandir as plantações do grão e dar conta da produção destinada à alimentação e ao combustível. A produção atual é suficiente para gerar apenas 15 bilhões de barris de álcool.
Para tentar suprir essa carência, o Departamento de Energia dos Estados Unidos anunciou que destinará US$ 385 milhões para a construção de seis refinarias. Elas produzirão etanol a partir de celulose e usarão matérias-primas baratas, como capim (foto), palha de trigo e sobras de madeira. Isso é o chamado álcool celulósico. Por enquanto, esse tipo de combustível é duas vezes mais caro do que o feito com milho. E ainda mais caro do que o nosso etanol. Mas todo mundo sabe o que o avanço tecnológico faz com esses custos. Se os laboratórios americanos pesquisarem mais, podem descobrir formas de retirar etanol de fontes abundantes como essa. Já há pesquisas sobre álcool celulósico no Brasil. É ele que vai decidir quem vai ser superpotência do biocombustível.
O presidente George W. Bush vem ao Brasil para negociar etanol. Nosso programa de álcool virou exemplo internacional e nossos usineiros agora são os heróis do planeta. O etanol brasileiro ganhou prestígio porque pode ajudar a salvar o mundo do efeito estufa e livrar os americanos de Hugo Chávez e xeiques Sauditas. Mas antes de comemorar nosso combustível limpo, precisamos olhar com atenção seu lado sujo, nas usinas. O etanol pode ser o combustível do século 21, mas parte dos senhores de engenho do Brasil ainda não saíram do feudalismo.
O indicador disso é a ocorrência de trabalho escravo e de morte de trabalhadores por excesso de trabalho em canaviais. A Destilaria Gameleira foi a propriedade onde os fiscais do Ministério do Trabalho encontraram o maior número de trabalhadores escravizados na história da fiscalização no Brasil. Em junho de 2005, 1003 pessoas em condições análogas à escravidão foram encontradas na fazenda, que fica no Mato Grosso. A Gameleira é reicidente. Já tinha entrado na lista suja em 2001, quando 328 escravos haviam sido libertos.
No ano passado, 13 trabalhadores morreram de fadiga no interior de São Paulo. Eles morreram por excesso de trabalho. Isso aconteceu porque as lavouras pagam por produção, e não por horas de trabalho. O Ministério Público do Trabalho quer mudar esse sistema de pagamento já na safra de 2007 para evitar que a trajédia se repita. Mas enfrenta resistência dos empregadores e dos próprios empregados.
A boa notícia é que a fiscalização e o combate do governo brasileiro têm dado resultados. As empresas Ipiranga, Petrobrás, Shell e Texaco, alguns dos principais compradores de álcool da Gameleira, assinaram o Pacto Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo. Pararam de comprar da Destilaria, que virou Destilaria Araguaia para tentar despistar a má reputação. Espera-se que a vigilância das empresas compradoras desestimule os abusos.
Provavelmente a comitiva de Bush não vai ter tempo para levantar essas questões. Mas elas vão emergir, cedo ou tarde, quando o Brasil resolver transformar o álcool em produto de exportação - com discurso ecologicamente correto. É claro que alguns países, como a China, conseguem alimentar sua exportação usando trabalhadores em situação degradante. Mas a China é uma das piores ditaduras do mundo. As organizações de direitos humanos e a OIT não têm liberdade para agir ali. Já o Brasil optou por ser uma democracia. Agora precisamos nos livrar dos resquícios do passado escravocrata.
(Alexandre Mansur e Andrea Leal)
05/03/2007
Eu quero uma casa no campo
Para resolver a crise ecológica global, vai ser preciso repensar o planejamento das cidades e das vilas rurais. Algumas idéias promissoras germinam nas comunidades experimentais que testam tecnologias e organizações mais sintonizadas com os princípios ecológicos. São as chamadas ecovilas. Uma das iniciativas mais interessantes é a da Ecovila Santa Branca, em Teresópolis de Goiás. Ela é o orgulho de Antônio Zayek, presidente da associação dos ecovileiros da Santa Branca. Veterinário, Antônio é especialista pecuária responsável, permacultor e empresário especialista em construção e assentamentos humanos sustentáveis. A ecovila foi lançada em 2003 como um loteamento imobiliário, só que com preocupação ecológica. São 335 lotes, sendo que 265 já foram vendidos e já 22 estão ocupados. Isso permitirá uma população máxima de 1000 pessoas, número em que a maioria dos indivíduos ainda pode se reconhecer e, assim, se sentir confortável dentro da comunidade, segundo Antônio.
Época: Qual é o impacto ambiental da Ecovila? Antônio : O design dela priorizou a proteção do solo, o aumento da biodiversidade, o ciclo da água e outros ciclos vitais do planeta, como a reprodução de fauna e flora e a retirada de gás carbônico da atmosfera. Ou seja, criamos um local onde as pessoas têm um impacto positivo no meio ambiente.
Época: Como vocês conseguiram isso? Antônio: A área onde estamos era bastante degradada, de antigas lavouras. Existiam apenas seis espécies de árvores, a água não infiltrava no solo e havia marcas de incêndio. Plantamos 253 espécies novas em reflorestamentos temáticos (um total de 72 mil árvores) incluindo espécies exóticas e uma grande floresta nativa, com 32 mil árvores, que circunda a Ecovila. Foi criado um sistema de infiltração chamado swales, em que toda água da chuva infiltra no chão. Foram desenhados nichos ecológicos e corredores para a fauna nativa. Foram feitas barreiras vivas contra o fogo.
Época: Pode entrar carro lá? Antônio: Sim. Mas caminhar dentro da Ecovila, por exemplo, é mais eficiente e mais rápido do que ir de carro. As ruas são desenhadas para dificultar o trânsito interno e incentivar que se caminhe. O pedestre passa por bosques e jardins comuns, que produzem mais de cem tipos de frutas.
Época: Como vocês lidam com a água? Antônio: Como estamos em uma região que durante seis meses sofre com a forte seca, na Ecovila Santa Branca é obrigatória a coleta e uso da água dos telhados das casas. O tratamento de esgoto é unitário, cada casa tem a sua fossa biológica, que não contamina em nada o meio ambiente e não emite cheiro. Também é obrigatório que 20% da área de cada terreno seja coberta com árvores (somado com as áreas comuns teremos 53% da área reflorestada). Os lotes variam de 1500 a 4500 metros quadrados e as casas podem atingir no máximo 20% da área do terreno, mas a escolha de modelos e estilos é completamente livre. O que temos é uma orientação no local para a utilização de material não tóxico e construções orgânicas.
Época: E a fauna silvestre? Antônio: Só é permitido plantio de cercas vivas (não é permitido cerca de arame, estaca e muros), assim os animais podem circular. Existem passadores de fauna em todo empreendimento para entrada da fauna silvestre local. Hoje na Ecovila já temos três lobos guarás, rabosas, tapetís, tatus, siriemas, rapinas raras etc.
Época: Por que não pode entrar cachorro? Antônio: Essa restrição costuma assustar as pessoas em um primeiro momento. A medida é fundamental para a proteção dos animais. Cães e gatos são predadores e contaminam o ambiente. (Alexandre Mansur)
04/03/2007
Este blog polui
Sim. Este Blog do Planeta e todo o resto da internet consomem uma quantidade considerável de energia elétrica. Parte dessa energia é gerada em usinas que queimam combustíveis fósseis, e emitem gases responsáveis pelo aquecimento do planeta. Bom, na verdade este blog nem é dos mais anti-ecológicos. Está hospedado nos servidores da Globo.com, no Rio de Janeiro. Consome energia elétrica brasileira, uma das mais limpas do mundo porque vem principalmente de usinas hidrelétricas.
Já os sites americanos não estão tão bem.Uma parte importante da energia que consomem vem de termelétricas a óleo combustível, carvão e gás natural, todos contribuintes para o aquecimento global. Metade da eletricidade dos EUA vem do carvão. Todos nós usamos esse energia quando passamos pelos serviços do Google, Yahoo!, MSN e outros. Os servidores dessas empresas gastam de 1,2% a 4% da eletricidade nos EUA. O analista de economia e blogueiro americano Nicholas Carr calculou que cada avatar no Second Life (foto) gasta tanta energia quanto um cidadão típico do Brasil.
E aí. O que fazemos com isso? Desligamos nosso computador e jogamos o modem no lixo? Não. Primeiro porque o aparelho de modem tem componentes tóxicos e não deve ser descartado no lixo comum. Segundo porque não dá mais para viver sem ele. A internet ainda é a maneira menos poluente de fazer as coisas. Mandar um email gasta menos recursos naturais do que enviar documentos por Sedex. Abrir um chat é mais econômico do que pegar um carro para se encontrar com as pessoas ao vivo. O sinal disso é a relação entre carbono emitido por crescimento do PIB. Os países desenvolvidos emitem bastante gás carbônico, responsável pelo efeito estufa. Mas suas economias modernas – baseadas em alta tecnologia e serviços – emitem menos carbono por dólar gerado do que as economias dos países mais atrasados, sustentadas por indústrias sujas. A saída é investir mais em tecnologia.
(Alexandre Mansur)
Os
créditos de todo o conteudo pertence ao Alexandre Mansur, editor de Ciência & Tecnologia da revista Época
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